terça-feira, 29 de setembro de 2015

Alguma coisa acontece no meu coração...

Hoje, 29/09/15, estaríamos chegando em Londres. Posso dizer que me sinto um pouco angustiada mas sem dúvida fizemos a melhor escolha quando decidimos ficar. Decidimos, porque surgiu um problema de saúde na família e, inexplicavelmente, surgiram mais problemas depois rsrs. Pois é, foi loteria, nós sem dúvidas teríamos perdido o valor da passagem, pois voltaríamos correndo pra cuidar e acolher as pessoas que amamos.

Eu não sou muito de acreditar que se não deu é porque não era pra dar. Acredito mais que existem obstáculos pra gente superar e seguir em frente como pessoas melhores, e acho que isso está acontecendo. Ainda não temos uma nova data de partida, talvez dezembro, quem sabe... Pra minha surpresa, não está sendo uma tortura ficar aqui rsrsrs, é bom aproveitar mais um pouquinho o contato com a família!

Bom, dia 29 não é apenas o dia que chegaríamos em Londres, mas também o dia em que a nossa pequena faz 4 anos. Meu Deus, 4 anos! Eu revejo as fotos, e parece que sinto aquele momento... é tanto amor envolvido, tanto carinho. Sei que é repetitivo, que toda mãe diz isso, mas realmente, é o maior amor que se pode sentir.

Fomos pais bem jovens, cheios de medo e imaturidade, aprendemos a ser pais na marra e é bem difícil conseguir protagonizar a paternidade e maternidade quando se é jovem. A família toda tenta tirar isso de você - eles querem ajudar, ensinar - mas a gente sentia como uma incompetência nossa, então começamos a brigar por nossas escolhas. Rolou muita cara feia no início, mas depois todo mundo percebeu o quanto amadurecemos com isso.

Eu fico lembrando, e apesar da maternidade colorida que pintam por aí, eu não esqueço dos maus momentos. A maternidade não é fácil nem de longe: a gente se anula, "perde" amigos, se isola e ainda, com toda a cobrança da sociedade, a gente sofre.

Ninguém de fora sabe, mas a gente chora muito. A gente precisa se reinventar como pessoa, descobrir novos gostos, fazer novas amizades, curar feridas e tudo isso, fazendo xixi com um bebê no colo, almoçando comida fria às 3h da tarde também com um bebê no colo, indo dormir as 04 da manhã e acordando as 10:00 e ainda ouvir que a gente só dorme ou ainda pior ,"como você não tem tempo de se arrumar se fica o dia todo em casa?".

A maternidade pode ser cruel, mas a gente vai aprendendo a lidar. Na verdade, a gente aprende a não ouvir o que as pessoas de fora dizem porque se a gente absorve, é depressão na certa. O puerpério não é mole, e tem quem goste desse bicho rsrs. A maternidade não é só flores, mas sim temos muitas delas pra regar e colher. É cansativa, mas acolhe, é difícil, mas amadurece, é de enlouquecer muitas vezes, mas quem disse que a loucura é ruim?

Faz 4 anos que estou em transição, faz 4 anos que recebi o maior presente que se pode ganhar. A maternidade vai além de ter um bebê, ou um amor pra vida toda, acredito que ela é a transição mais forte que temos. 4 anos atrás ela chegou, e eu não poderia imaginar como seria nosso caminho. Foi cheio de flores e espinhos e muito aprendizado, mas principalmente, regado de amor, companheirismo, colo, abraços e beijos.

Hoje a minha pequena não está mais tão pequena assim, ela cresce dia a dia, cada vez mais inteligente, mais questionadora, e tem coisa que uma mãe quer mais do que uma filha que questiona?

Ah minha pequena, que orgulho de ser sua mãe, que alegria ter seu sorriso, que alegria poder te abraçar quando chora. Que alegria dividir meus dias contigo e ouvir de você que sou sua melhor amiga e ficaremos juntas pra sempre! Obrigada minha pequena, por me escolher entre tantas mulheres para te gerar e cuidar!