quarta-feira, 11 de maio de 2016

Fabio Lohn vegetariano?

Quando começamos a buscar por residências para nos hospedarmos notei que na grande maioria dos lugares a alimentação era vegetariana. Por um bom tempo relutei, não imaginava ficar sequer uma semana sem carne. Fui criado em uma família que sempre consumiu muita carne em todas as refeições, até mesmo meu café da manhã era pão com carne. Minha alimentação sempre foi um desastre, comia muito biscoito recheado, bala, salgados fritos, leite e nada de verduras e frutas.

Após o nascimento da Camille - e por insistência da Gabi para dar exemplo a nossa pequena rs - comecei a comer cenoura, brócolis, tomate e berinjela; até gostava de frutas, mas comia no máximo cinco no ano. Esse era eu.


Quando chegamos no Uruguai fomos dar uma volta em Montevideo e procuramos algum lugar para almoçar - de preferência com carne porque sabia que ficaria dias sem comer!

No dia seguinte começou o pesadelo: a Jane, anfitriã da casa, estava servindo os pratos como de costume e como sou grande ela resolveu caprichar no meu prato com a pior comida da minha vida, a tal sopa de aveia que a Gabi falou no último post. 1 hora e 2 litros de água depois eu finalmente terminei o almoço, que para minha completa falta de sorte foi servido novamente no jantar - dessa vez com pimenta.

No segundo dia me deparei com as inevitáveis frutas. Logo no café da manhã comi três - mais do que comi o ano de 2015 inteiro! E o almoço foi arroz com uns 7 tipos de salada e 3 de abóbora, que era o que mais tinha na casa. Mais uma vez, fui o último a terminar... a comida não descia e a carne fazia muita falta. Nos dias seguintes meu corpo já havia se acostumado e sentia menos falta, não era por menos, afinal passava o dia comendo frutas.

Na segunda semana já conseguia saborear a salada deles. O fato deles temperarem muito bem me ajudou no processo. Comi ovo duas vezes em toda a estadia lá e as vezes eles faziam pães deliciosos com semente de girassol, linhaça, gergelim e amendoim.

Tenho que admitir que esses dias foram muito difíceis mesmo. Terminava as refeições com aquela sensação de fome no estômago e em menos de 2 horas estava comendo de novo para me saciar. O dia mais difícil foi quando, num domingo, o vizinho, que morava a cerca de 70 metros, assou frango e acabou com meu dia com aquele cheiro rsrsrsrs.



Além da carne, precisei tirar o leite do meu café. Sempre odiei café preto e também sofri com isso no início, mas depois passei a fazer café mais fraco para mim e me acostumei - ah, lá não tinha coador! Pensa no choque de realidade! Ainda assim, foi mais fácil ficar sem leite do que sem carne rs.

Em 15 dias com dieta forçada, sem carne e sem leite, comi mais frutas e verduras que em 27 anos. O resultado disso? Menos 4,5 quilos e muito mais disposição!

A surpresa foi quando chegamos na Argentina e aproveitei pra beber café com leite. Não gostei, e dessa forma decidi abolir o leite do meu cardápio. Mas a carne não! Estou comendo só aos finais de semana, e geralmente não me sinto bem no dia seguinte, o que me faz acreditar que vou reduzir ainda mais o consumo. A gente sabe os malefícios da carne e acha que é exagero, mas quando passa por uma desintoxicação - como no meu caso - percebemos como a qualidade de vida, disposição e saúde melhoram e o quanto aquela escorregada nos faz mal.

Apresento a vocês o novo Fabio, que come salada, frutas e verduras diariamente, não bebe leite e diminuiu o consumo de carne. Não foi fácil, mas sobrevivi e, melhor do que isso, agora sei o que me faz bem e sinto a diferença no dia a dia.


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