sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Nosso primeiro work exchange na Ilha Esmeralda. Castlebar, Condado de Mayo - Irlanda

Um belo lugar pra uma xícara de café, não?
Como conseguimos contato?… Catherine e Stephen não estão no workaway (plataforma que sempre usamos), porém através de outra família que seriam nossos anfitriões depois (Annie e Peter) chegamos até eles.

De Galway onde estávamos com minha prima seguimos de ônibus até Castlebar. Dentro do ônibus vinhamos o tempo todo pensando em como seria essa primeira experiência puramente em inglês. Será que estamos prontos? Como será que eles são? Aquele friozinho gostoso na barriga, e uma sensação muito boa de independência. Enfim o motorista disse que tínhamos chegado, estranhei pois não tinha uma estrutura de terminal de ônibus, questionei e ele confirmou que estava certo, era ali mesmo. Descemos, pegamos nossas malas e tentei avistar o Stephen, quando me viro o vejo chegando com um sorrisão e recebo um abraço tão gostoso que parecia de pai. Ali já tive certeza que tudo seria ótimo. No carro ele foi nos contando como era sua casa, falou sobre a Catherine sua linda esposa, e que tinha 3 adolescentes com eles no momento, sua filha Katie, sua sobrinha Maura (acho que é esse o nome) e Maria, uma intercambista da Espanha. Chegamos e conhecemos as meninas e então ele nos mostrou onde ficaríamos, uma casa separada da casa deles, uma linda casa. 2 quartos, sala e cozinha espaçosa e mesmo que nossas refeições seriam feitas junto com eles, havia disponível para nós ali chá, café, pães, leite, suco, cereal entre outras coisas. Nos sentimos realmente especiais, parece que tudo foi organizado com muito carinho para nos receber. 






Stephen nos deixou livre para organizar nossas coisas e nos falou que o jantar seria servido entre 18:00 e 19:00. Um pouco antes disso já tínhamos organizado tudo e fomos até a casa deles, Catherine estava chegando e o sentimento foi exatamente igual quando vi Stephen, um sorrisão e um abraço fraterno. Eles realmente são pessoas muito especiais, do bem e fizeram de tudo para que nos sentíssemos em casa. Sentamos na sala para conversar, Catherine deixou a Camille tocar sua Arpa e preparou um cantinho com brinquedos para ela também se sentir em casa. Entregamos uma carta escrita previamente, já que nosso inglês era muito ruim, agradecendo por nos receber, dizendo que estávamos disponíveis para ajudar no que precisassem, e se alguma coisa os chateassem eles poderiam conversar conosco que entenderíamos e faríamos o possível para consertar, falamos também que gostamos de conversar, dançar, e gostaríamos de passar um tempo com eles fora o horário do trabalho se eles também quisessem, falei que Camille é alérgica a corante alimentar e mais algumas coisas que não me recordo agora. Fizemos essa carta, primeiro porque eu acho que é uma gentileza mais do que necessária com seu anfitrião que está abrindo as portas para receber pessoas que nunca havia visto antes. Segundo, para nós era importante falar algumas coisas que ainda não conseguíamos, devido ao nosso inglês capenga.

Depois jantamos uma deliciosa torta de batata, conversamos um pouco mais e perguntamos o que deveríamos fazer no dia seguinte. Catherine é tão querida e estava tão envergonhada de me pedir para fazer algo pois segundo ela, nunca teve ninguém para ajudá-la e isso a deixava um pouco constrangida, então perguntei se ela gostaria que eu limpasse a cozinha, armários, prateleira… Ela ficou encantada, como se eu tivesse me oferecido para fazer algo grandioso haha, nunca vou me esquecer a expressão dela. Stephen pediu ao Fabio para podar algumas árvores, mostrou onde ficavam as ferramentas e então nos despedimos para dormir. 

Na manhã seguinte tomamos o café em "nossa" casa mesmo e fomos trabalhar, Camille estava o tempo todo comigo, limpei e organizei a cozinha e então já era hora do almoço. O almoço na Irlanda - assim como nos países de origem inglesa - é um café reforçado, ou seja, pão, queijo, carne ou salame e café ou chá. Almoçamos, e quando fui tirar a louça para lavar Stephen não deixou, disse que já tínhamos terminado o trabalho e que isso era trabalho das meninas, ainda assim disse que não tinha problema e gostaria de ajudar. Quando fui lavar a louça Katie me disse que não precisava que era apenas colocar na máquina - eu lá já tinha usado máquina de lavar louça? Pedi que me ensinasse e ela me olhou como se eu fosse de outro planeta hahaha
Então depois fomos para o quintal brincar com a Ca, lá tinha uma casinha com escorregador e era tudo que ela poderia querer. Em seguida Catherine chegou e nos convidou para passear, o dia estava meio nublado, as vezes sol e de vez em quando caía uma chuvinha mas isso é tão comum na Irlanda que ninguém deixa de fazer nada por isso, então fomos conhecer um lindo lago, vimos pela primeira vez uma plantação de algodão e Stephen nos ensinou a quicar pedras no lago. 

Algodão



Na volta, passamos pelas meninas que estavam brincando de esconder, o que achei incrível pois elas já tinham entre 13 e 14 anos e bem, isso não é muito comum no Brasil né?

No dia seguinte eu e o Fabio pintamos a casa onde estávamos e a noite conhecemos mais dois filhos de Stephen e Catherine que moram em Dublin. Depois do jantar as meninas tocaram musica Irish com Banjo e Violino e nós dançamos samba e forró pra também apresentar nossa cultura à eles. Foi uma noite muito gostosa. Em nosso terceiro dia acordamos e quando fomos trabalhar disseram que estávamos de folga e iríamos passear de novo, Catherine tem uma escola em Westport, uma cidade bem turística próximo a Castlebar e como ela iria para lá disse que poderíamos ir junto para conhecer a cidade. Westport é realmente linda e tem praia, mas como tínhamos pouco tempo e a praia era longe do centro deixamos para conhecer outro dia, então aproveitamos para conhecer o centro, fazer umas fotos e ir num second hand procurar calças pra Camille. 

Westport
Westport
Westport


Nesse mesmo dia tomei banho na casa deles pois nosso chuveiro não estava esquentando. Tranquei a porta, tomei meu banho, sequei o banheiro e na hora de sair, quem disse que a porta abria? Tentei, tentei, tentei e nada. Comecei a pensar em como sair dali, o Fabio estava na outra casa e eu sem celular e morrendo de vergonha de ter que bater na porta e pedir ajuda haha mas Fabio chegou logo e percebeu que eu estava demorando muito, me chamou e eu pedi ajuda e claro, ele pediu ajuda aos donos da casa. Tentaram me orientar e ainda assim a chave não virava. Então Catherine entrou pela janela do banheiro - ainda bem que na Europa as janelas dos banheiros são grande - e como se não bastasse a vergonha que eu já estava sentindo, ela simplesmente encostou na chave e a porta abriu hahhaa eu queria me trancar de novo de tanta vergonha, todos rimos muito da situação e então ela me falou que ninguém usa a chave porque realmente ela emperra e mostrou que na porta tem uma plaquinha que a gente vira conforme usa pra dizer se está ocupado ou não e me senti ainda mais burra pois não tinha lido, simplesmente achei que era tipo as plaquinhas comum no Brasil que diz: Se ascendeu, apague, abaixe a tampa do vaso... Essas coisas hahaha

A noite, como eles queriam experimentar nossa comida decidimos fazer feijoada, eles compraram os ingredientes e fiz mesmo sem panela de pressão e vou dizer que ficou deliciosa, maaaaaaaaas foi um sacrifício para eles comer hahaha, Catherine e Stephen comeram e acho que gostaram, mas as meninas estavam com uma expressão de nojo e eu nunca tinha reparado, mas realmente nosso feijão é estranho de se olhar né? Nós estamos acostumados, claro, comemos desde bebê, mas imagina como é para pessoas que comem comida quase sempre seca e feijão apenas enlatado? Fiquei com pena delas, tiveram que comer…
Os jantares lá era sempre um momento gostoso desde a preparação, sempre com muita conversa e um pouco de vinho e depois ainda íamos para a sala conversar um pouco mais, sem dúvidas isso nos fez sentir em casa pois em nossa família é assim, todo mundo fica junto jogando conversa fora.
Durante o jantar perguntamos o que faríamos no dia seguinte e eles disseram que já não tinha mais nada para fazer, então perguntei se gostariam que eu limpasse os vidros e mais uma vez Catherine ficou constrangida, disse que não era um trabalho legal e que não se sentia bem, então falei que não era um trabalho ruim, que eu não me importava e ficaria feliz em fazer algo, até que ela concordou, mas infelizmente não tive tempo, na manhã seguinte nos chamaram e disseram que Annie já estava em casa e que de tarde iríamos para lá, então era pra organizarmos nossas coisas e deixar a casa que usamos limpa.
Nesse momento ficamos triste, não conhecíamos ainda os outros anfitriões mas nos sentíamos tão bem ali que realmente gostaríamos de ter ficado mais, inclusive na hora da despedida eu quase chorei, e olha que ficamos juntos apenas 5 dias hahaha

Sem dúvidas tivemos muita sorte por ter conhecido Stephen e Catherine, eles são anfitriões maravilhosos e somos gratos por terem nos acolhido com tanto carinho, pela paciência com nosso inglês ruim e também por todo o carinho com nossa cria. Tivemos momentos fantásticos de troca de cultura com eles e desejamos tudo o que existe de melhor no mundo pois realmente são merecedores.



Gratidão Catherine e Stephen.
Gratidão à vida por nos proporcionar esses momentos.