segunda-feira, 11 de julho de 2016

Nosso dia a dia em Playa de los Lobos - Mar del Plata.


Faz tempo que não dávamos as caras por aqui, não é? Andamos meio sumidos por conta dos preparativos para o início da viagem pela Europa, a chegada tumultuada na Irlanda (aguardem depoimento!) e adaptação no país que mais chove do mundo rs. Mas cá estamos para fechar nosso relato sobre a Argentina (relembre aqui).

Na Argentina fomos muito bem recebidos por Marina e sua família. Txaro e Leon tratavam a Camille como uma irmã mais nova, davam muito carinho e atenção à ela. 

Desde o início Marina nos deixou super a vontade com relação ao trabalho. Como trocamos hospedagem por trabalho, nossa obrigação era ajudar quatro horas por dia cinco dias na semana, sem horário definido. Nos acostumamos com o horário do Uruguai (dormir cedo e acordar cedo), então preferimos seguir nesse mesmo ritmo; logo, começávamos às 09:00 e terminávamos às 13:00. A Gabi era responsável pela limpeza do hostel, cuidava dos quartos e passava as roupas de cama, sempre com a Camille junto ou por perto. O atendimento aos hóspedes era feito pela Marina e os filhos enquanto eu comecei fazendo pequenos reparos elétricos, como conserto de tomadas e troca de lâmpadas.  

Marina participava de um grupo no whatsapp do bairro onde os vizinhos se ajudavam e trocavam informações sobre serviços e tudo mais. Certo dia uma vizinha pediu indicação de alguém pra consertar sua batedeira e Marina me perguntou se eu gostaria de arrumar. Respondi que sim, claro, mas não fazia ideia dos preços cobrados por esse tipo de trabalho no país. Esperei pelo bom senso e disse pra ela definir o quanto me pagaria, e assim foi. O senso dela não foi tão bom quanto eu esperava, mas ainda assim ajudou nas despesas haha. No dia seguinte ela elogiou meu serviço no grupo e surgiram mais alguns trabalhos pequenos.

Como nosso trabalho era apenas de manhã, o resto do dia era lazer. O hostel ficava a poucos metros da praia e aproveitamos pra molhar os pés. Sim, OS PÉS: ventava muito e a água era muito gelada! Até tentamos entrar um dia que estava calor, mas a praia tinha muitas pedras e ficamos com medo de escorregar.







Perto do hostel tinha também um parque e uma laguna, onde levamos a Camille pra aproveitar o fim de tarde. Para chegar na laguna tinha uma cerca super baixinha, mas como sabíamos que ela não estava em propriedade particular decidimos pular a cerca. Adivinhem só: elétrica! É, todo mundo levou choque... pai, mãe e filha. Foi fraquinho, até ficamos em dúvida se realmente tinha sido a cerca. Mas como todo mundo sentiu deduzimos que sim rsrsrs.




Na volta também quase fomos atacados por cachorros. Diferente dos brasileiros, os argentinos gostam de cachorro grande e bravo e ninguém tem muros na casa! Sério, era muito tenso... a Gabi quase parava de respirar quando eles chegavam perto, alguns realmente queriam atacar. 

Um dia nos perdemos em umas ruazinhas e enquanto tentávamos encontrar o caminho de volta alguns cachorros vieram até nós, latindo muito, mas sem atacar, como se estivessem esperando algum sinal nosso. Fomos salvos por um cavalo que apareceu e os cães foram atrás dele. Atravessamos um matagal por medo de andar naquelas ruas de novo rsrsr


No hostel também haviam 3 perros, Frida, Lenon e Pampa, esse último gigante, mas bobo como criança :P

Amigos, comida e inspiração

Conhecemos a Laura - uma menina da Suíça - e Thomas, da França, que também estavam trocando trabalho por hospedagem. Laura era da parte francesa da Suíça, então já cresceu falando francês, alemão, italiano e inglês, e aprendeu espanhol ouvindo música e viajando. Ela tinha uma pronúncia muito boa, diferente do Thomas que já estava viajando há muito tempo pela América latina mas que qualquer pessoa percebia que era francês rsrs. 

Laura era muito legal e conversamos bastante. Ela contou que fez seu primeiro intercâmbio com 14 anos, quando passou uma semana na Alemanha, e foi aumentando o período de tempo a cada ano. Ela contou que isso é muito comum e os europeus gostam bastante dessa troca de cultura e de iniciar a independência mais cedo.

Em 2015 ela fez um mochilão no Nepal, onde passou alguns meses, e três dias depois de voltar pra Suíça aconteceu o pior terremoto do Nepal em 81 anos, exatamente na cidade em que ela estava. Ficamos arrepiados com a história, a forma como ela contou, como se sentiu... era surreal. 
Imagine você, conhecendo um novo país como voluntário, convivendo com os locais, ajudando, fazendo refeições juntos, conversando e de repente você volta pro seu país e tudo está destruído? Acredito que quando uma tragédia assim acontece e você está ali como turista seja difícil, mas quando você conhece de verdade as pessoas fica difícil de acreditar e simplesmente seguir a vida.

Os dias eram sempre divertidos, com muita troca, conversa e comida boa. Laura fez um fondue delicioso (que eu achava que era tradicional da França, mas estava enganada), Thomas um Gratin Dauphinois, que nada mais é que batatas gratinadas com creme de leite e queijo, e nós fizemos um bolo de chocolate, e claro, feijão. Parece bobagem, mas o que mais sentimos falta é nosso feijão, em nenhum lugar é como o nosso.



Fiz trabalho de pintura em alguns cômodos e trabalhei na ampliação da horta. A horta foi o trabalho mais exaustivo e mais gratificante. No Uruguai adquiri um prazer enorme em plantar e depois servir aquele alimento fresquinho na hora do almoço e no jantar. Ainda teremos uma grande horta na nossa casa!


Quando estava cortando a grama do hostel me surpreendi de repente ao ver Laura tirando uma foto da máquina de cortar grama. Ela simplesmente não podia acreditar que aquilo era um cortador, pois na Suíça você programa no computador e a máquina faz o corte sozinha. Que beleza, né? Me senti pré-histórico hahahaha

Apesar de jantarmos juntos por diversas vezes, a alimentação não estava incluída na estadia do hostel. Cada um comprava suas coisas e fazia sua comida. Como eu estava seco pra comer carne (afinal, o sofrimento foi grande no Uruguai rs) a primeira coisa que fiz foi correr para o açougue. Vi o preço da costela e convertendo para o real dava R$45 o quilo! Peguei uma bandeja de ovos e voltei triste para o hostel haha :(

Marina é uma mulher espetacular, uma mãe solo que faz tudo pra ter mais tempo com os filhos dentro do possível pra que também não falte nada. Enfrenta dentro dela o que todas as mães (acredito eu) enfrentam também, a eterna insegurança de saber se fez certo e o que pode melhorar na relação com os filhos. Seremos eternamente gratos pela forma como ela e sua família nos receberam, eles se tornaram nossa família na Argentina.

Eu não sei se você vai ler isso, Marina, e de qualquer forma já falamos para você: você é uma mãe espetacular e criou seus filhos de forma extraordinária. É difícil e dolorido muitas vezes, mas não tenha dúvidas de que você acertou. Obrigado pelo carinho e desejamos o que há de melhor a todos vocês. Grande beijo! (Fábio e Gabi). 

Beijos e abraços também a todos que estão nos seguindo e acompanhando nossos relatos. Logo tem mais!


Cola na gente! ;)



2 comentários:

  1. Gaby, Fabio y Camile...aquí estamo leyendo su blog con Txaro y se nos caen las lágrimas por sus bellas palabras...nada hemos dado en comparación a lo que merecen...y felices de ser su familia en argentina (así será para siempre) y ustedes nuestra familia mochileando por el mundo...hasta que la vida nos vuelva a cruzar! besos y abrazos a los tres!!!

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    1. Muchas gracias por todo Marina, seguramente la vida nos vuelva a cruzar! Besos en todos.

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